Sistema utiliza ondas sonoras para interferir na formação do granizo e levanta dúvidas sobre alcance, eficiência e impacto do ruído. - Foto: Prefeitura de Chapecó
Os canhões antigranizo instalados em Chapecó voltaram a chamar a atenção da população durante as últimas tempestades. Além do forte barulho emitido pelos equipamentos, muitas dúvidas surgem sobre a tecnologia: ela realmente funciona? Como ela elimina o granizo? Para responder esses questionamentos, a equipe do ClicRDC conversou com o coordenador regional da Defesa Civil, Walter Parizotto.
Segundo ele, o equipamento atua diretamente no processo de formação do granizo. Na parte inferior do canhão há uma câmara onde ocorre uma explosão controlada, responsável por gerar ondas sonoras que se propagam até a atmosfera.
Essas ondas provocam uma cavitação – formação e o colapso rápido de bolhas de vapor em um líquido, causados por quedas repentinas de pressão – no interior da nuvem e interrompem o crescimento das pedras de granizo. Com isso, caso o fenômeno aconteça, a expectativa é que as pedras sejam menores e causem menos prejuízos.
“O equipamento não lança nenhum produto químico na atmosfera. O funcionamento ocorre apenas por meio da propagação de ondas sonoras”, explica.
O coordenador também reforça que o sistema não desvia as nuvens nem afasta a chuva, “o que acontece é uma movimentação dentro da nuvem, impedindo que as partículas de gelo continuem se unindo para formar pedras maiores.”
Os canhões entram em operação sempre que o monitoramento meteorológico identifica, por meio de satélites, nuvens com potencial para formação de granizo.
O acionamento ocorre alguns minutos antes da chegada da tempestade e permanece durante toda a passagem da célula sobre a área protegida.
Atualmente, Chapecó possui três canhões antigranizo. Dois deles estão instalados para proteger parte da área urbana do município no bairro Efapi, e um atende exclusivamente o distrito de Marechal Bormann.
Cada equipamento possui um raio de proteção de aproximadamente 500 metros, formando uma área de um quilômetro de diâmetro, chamada pela Defesa Civil de “proteção guarda-chuva”. Segundo Parizotto, dentro dessa área a eficiência do sistema supera 90%.
Ele explica que ainda existe uma proteção residual além desse limite, principalmente em direção ao centro da cidade, já que a maioria das tempestades avança pelas regiões sul e sudeste. No entanto, o alcance varia conforme a intensidade do fenômeno.
A escolha dos pontos de instalação levou em consideração dois fatores: o histórico de ocorrências e a trajetória das tempestades. De acordo com a Defesa Civil, as regiões periféricas costumam registrar mais impactos por concentrarem edificações mais vulneráveis e estarem no caminho das principais tempestades que atingem Chapecó.
Já o equipamento instalado em Marechal Bormann foi destinado ao distrito por ser, historicamente, a localidade mais afetada pelos episódios de granizo no município.
Tecnologia inédita para proteção urbana
O município é o primeiro do mundo a utilizar esse tipo de equipamento com foco exclusivo na proteção de áreas urbanas. Até então, sistemas semelhantes eram utilizados somente em contextos agrícolas ou industriais.
A tecnologia dos canhões antigranizo foi desenvolvida originalmente para uso no campo, especialmente em lavouras de frutas e vinhedos na Europa (como França, Itália e Áustria), com o objetivo de tentar reduzir danos causados por tempestades de granizo.
Posteriormente, passou a ser adotada também em áreas industriais, como pátios de montadoras de veículos e centros logísticos, para proteção de mercadorias e estruturas expostas.
Em Chapecó, a adaptação do sistema foi feita com a proposta de reduzir os prejuízos provocados pelo granizo em áreas residenciais e prédios urbanos, ampliando o uso da tecnologia para um contexto de proteção civil em escala municipal.
Orientação à população
A Defesa Civil orienta que, ao ouvir o disparo do canhão, a população entenda que o equipamento está em operação para minimizar os prejuízos causados pelo granizo.
“O som representa proteção. Estamos trabalhando para reduzir esse ruído, mas hoje essa é a tecnologia disponível para proteger a população contra um dos fenômenos que mais causa prejuízos no município”, conclui Parizotto. Em caso de emergência, acione o Corpo de Bombeiros pelo número 193 ou a Defesa Civil pelo número 199.
Fonte: ClicRDC



