El Niño pode ser o mais intenso desde 1950 e aumenta risco de chuva e cheias em SC
Fenômeno tem 95% de chance de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro; previsão aponta chuva acima da média em Santa Catarina e possibilidade de novos episódios de cheias no Sul
Os últimos três meses de 2026 devem ser marcados por chuva acima da média em Santa Catarina, segundo previsão da Epagri/Ciram. O cenário está relacionado principalmente ao fortalecimento do El Niño, que deve atingir seu auge entre outubro deste ano e janeiro de 2027.
Enquanto regiões do Norte e Nordeste do Brasil devem enfrentar mais seca, calor e maior risco de incêndios, o Sul poderá conviver com o cenário oposto, de excesso de chuva e possibilidade de novos episódios de cheias.
O El Niño tem 95% de chance de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro. De acordo com o Boletim nº 4 sobre o fenômeno, divulgado na quarta-feira (30), existe a possibilidade de o evento alcançar a maior intensidade registrada desde 1950. A previsão é de manutenção das condições do fenômeno pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.
O boletim foi elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Santa Catarina pode ter até 200 mm de chuva acima da média
A primavera, iniciada em 22 de setembro e que segue até 21 de dezembro, já é tradicionalmente uma estação de maior ocorrência de chuva em Santa Catarina. Em 2026, porém, a atuação do El Niño tende a intensificar as instabilidades.
De acordo com a Epagri/Ciram, todas as regiões catarinenses podem registrar tempestades mais frequentes e intensas, com volumes superiores aos normalmente observados.
A condição deve ser mais significativa durante outubro e novembro. Considerando o trimestre entre outubro e dezembro, os acumulados podem chegar a até 200 milímetros acima da média em algumas áreas.
Além da chuva volumosa, os temporais podem ser acompanhados por fortes rajadas de vento e queda de granizo, aumentando o risco de enxurradas, alagamentos, inundações, deslizamentos e outros danos.
Sul permanece sob risco de novas cheias
No Sul do Brasil, as chuvas volumosas já elevaram níveis de rios e provocaram inundações, principalmente no Vale do Taquari e ao longo do Rio Caí, no Rio Grande do Sul, além de ocorrências registradas em municípios catarinenses.
Segundo os dados divulgados no boletim, o Serviço Geológico do Brasil já emitiu mais de 190 boletins de alerta hidrológico para a Região Sul em 2026.
Para outubro, novembro e dezembro, a previsão indica volumes de chuva acima do normal no Sul, além de áreas do Sudeste e do leste do Nordeste. Com a continuidade das precipitações, permanece a possibilidade de novos episódios de cheias.
Seca avança no Norte e Nordeste
Enquanto o Sul enfrenta excesso de umidade, a falta de chuva vem se agravando em outras áreas do país.
Dados parciais de setembro do Cemaden apontam que o número de municípios brasileiros em situação de seca extrema passou de quatro para 24 em apenas um mês. Já aqueles classificados em seca severa aumentaram de 153 para 197.
Os maiores avanços foram observados em Amazonas, Bahia, Amapá, Alagoas e Sergipe.
No Nordeste, 16% da região está sob condição de seca grave, conforme os dados apresentados no boletim.
Em determinadas áreas, a falta de água já provoca dificuldades para captação e navegação. A previsão indica ainda continuidade de chuva abaixo da média em partes da Região Norte.
Excesso e falta de chuva podem afetar agricultura
Os efeitos do El Niño também podem alcançar a produção agropecuária brasileira.
No centro-norte do país, a combinação de temperaturas elevadas e falta de chuva pode prejudicar lavouras de soja e café, além de afetar os rebanhos do semiárido.
No Sul, a maior disponibilidade de umidade pode favorecer culturas como o milho. Por outro lado, o excesso de chuva aumenta o risco de doenças no trigo e pode dificultar operações de campo, incluindo o plantio da soja e do arroz.
Temperaturas ficam próximas do normal em SC
Em relação às temperaturas, a tendência é de que outubro e novembro permaneçam dentro do padrão esperado para a época em Santa Catarina.
As manhãs ainda podem apresentar temperaturas mais baixas. Em períodos de maior nebulosidade e chuva, a variação térmica ao longo do dia tende a ser menor, mantendo as tardes mais frescas.
A partir de dezembro, com a aproximação do verão, as temperaturas devem subir gradualmente. A chuva continua presente, porém com temporais mais isolados e frequentes.
Defesa Civil orienta população a acompanhar alertas
Diante do risco de eventos meteorológicos severos, a Defesa Civil Nacional recomenda que a população acompanhe os avisos oficiais.
Os alertas podem ser recebidos gratuitamente por SMS, mediante envio do CEP para o número 40199. Também há opções pelo WhatsApp, no número (61) 2034-4611, e pelo Telegram, por meio do perfil @defesacivilbrbot.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e provoca alterações na circulação atmosférica, influenciando os regimes de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.
Fonte: WH3 com SCC








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