IA e vídeos falsos ganham força e ampliam riscos para eleições de 2026, aponta CGI.br
Guia destaca avanço das deepfakes, circulação de desinformação em múltiplas plataformas e dificuldade crescente para identificar conteúdos falsos.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Vídeos falsos produzidos com inteligência artificial e conteúdos de baixa qualidade passaram a ocupar espaço central entre os riscos digitais para as eleições e para o debate democrático. A avaliação consta na segunda edição do Guia Internet, Democracia e Eleições, publicado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) nesta terça-feira (22).
O documento compara o atual ciclo eleitoral com 2018, quando foi lançada a primeira edição do guia. Desde então, a forma de produção e distribuição de conteúdos mudou de maneira significativa. Segundo o CGI.br, redes abertas, como o Facebook, tinham maior destaque na circulação de informações durante o período analisado em 2018. Atualmente, plataformas mais restritas, como o WhatsApp, ganharam espaço na disseminação de conteúdos.
A desinformação também passou a circular de maneira mais distribuída. Um mesmo conteúdo pode ser compartilhado simultaneamente em diferentes plataformas, ampliando seu alcance e dificultando o acompanhamento da origem da informação.
O guia aponta ainda que o vídeo se tornou um dos principais formatos utilizados nesse processo. Em muitos casos, as imagens são acompanhadas por textos curtos que reforçam ou dão aparência de legitimidade à narrativa apresentada.
Ferramentas de inteligência artificial generativa já apareceram no ciclo eleitoral de 2022. Para 2026, o CGI.br aponta a expectativa de uma utilização mais ampla dessas tecnologias, combinada com mecanismos de distribuição direcionada e conteúdos produzidos para públicos específicos.
Entre os recursos analisados estão as deepfakes, capazes de criar ou alterar vídeos, imagens e áudios de pessoas reais. O guia também aborda modelos de linguagem conversacionais e outras ferramentas de inteligência artificial.
A combinação entre produção automatizada, segmentação de usuários e estruturas mais elaboradas de roteiro pode fazer com que conteúdos falsos apresentem uma aparência cada vez mais próxima de uma informação verdadeira.
Um dos principais alertas apresentados pelo CGI.br está relacionado ao realismo das deepfakes. Com o aprimoramento dessas ferramentas, conteúdos manipulados podem se tornar mais convincentes até mesmo para pessoas acostumadas a avaliar informações na internet.
O problema não está apenas na possibilidade de uma pessoa acreditar em um conteúdo falso. Segundo o guia, a circulação constante de materiais manipulados também pode aumentar a desconfiança sobre informações verdadeiras. Esse processo pode atingir instituições, veículos de comunicação e outras fontes de informação utilizadas pelos eleitores.
O CGI.br aponta que a perda de confiança em instituições como a imprensa e o Judiciário, associada à polarização política, pode contribuir para um ambiente de maior desconfiança. Nesse contexto, usuários podem dar preferência a conteúdos que confirmem opiniões que já possuem. Informações que contradizem essas convicções tendem a ser rejeitadas com maior facilidade. O guia relaciona esse comportamento ao conceito de racionalidade motivada, em que crenças pessoais podem influenciar a maneira como uma pessoa interpreta ou aceita determinada informação.
As plataformas digitais ocupam hoje uma posição central na forma como os brasileiros acompanham acontecimentos do mundo, do país e das cidades onde vivem. A coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, destaca que essas plataformas são empresas privadas orientadas por objetivos econômicos. Para ela, compreender como os ambientes digitais funcionam e como os conteúdos são distribuídos ajuda a analisar os impactos sobre o debate público. O guia aborda justamente os mecanismos de recomendação de conteúdo e a maneira como eles podem influenciar a circulação de informações.
O estudo também analisa a atuação dos influenciadores digitais. O CGI.br reconhece a importância desses comunicadores na distribuição de informações, mas diferencia sua atuação da atividade jornalística. Segundo o guia, influenciadores não estão submetidos às mesmas estruturas institucionais e códigos de ética do jornalismo. Dessa forma, não existe necessariamente a mesma responsabilização institucional pela veracidade das informações ou por eventuais erros e imprecisões divulgados. A diferença ganha importância em períodos eleitorais, quando conteúdos publicados nas redes podem alcançar grandes públicos em pouco tempo.
A publicação reúne diretrizes voltadas ao combate institucional à desinformação e orientações para que os cidadãos reduzam o risco de se tornarem vítimas ou propagadores de conteúdos falsos e enganosos.
Entre os temas abordados estão o funcionamento dos sistemas de recomendação, o impacto da inteligência artificial generativa nas eleições, as deepfakes e os modelos de linguagem conversacionais.
O material também busca ampliar a compreensão sobre o funcionamento das plataformas e estimular uma avaliação mais cuidadosa das informações compartilhadas durante o processo eleitoral.
Fonte: Agência Brasil








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